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quarta-feira, 24 de abril de 2013

O tempo passa, e o meu braço está numa boa.


Exatamente 2 anos atrás eu caí de bicicleta e fraturei meu braço direito. Fratura exposta, muita perda de sangue e duas cirurgias em menos de uma semana.

Meu braço não estica e nem dobra mais como antes, mas posso fazer tudo o que eu quiser, e inclusive pedalar. Não tenho traumas para pedalar, apenas não curto muito uma descida, ai eu travo mesmo. Coisas do dia da queda. Mas enfim, eu estou feliz porque meu braço está ótimo e a minha vida está indo para o mesmo caminho.

Feliz aniversário braço direito, e vamos continuar pedalando!

(a foto acima foi tirada hoje numa webcam com uma péssima iluminação... foi a pressa...hehehehe)

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Nove meses depois...

Não, eu não estou grávida, e nem está pra nascer nenhum bebê. É que hoje faz 9 meses que eu caí de bicicleta.

Pois é! Nove meses! E como o tempo passa e como tantas coisas aconteceram desde então.

Quando a gente sofre uma agressão como esta, pensa que no futuro vai ser complicado, difícil ou triste, mas na verdade, nada como um dia após o outro. Parece clichê, mas é bem assim que funciona. Nove meses se passaram e me sinto como se nada tivesse acontecido. Eu posso fazer tudo o que fazia antes, apenas com uma limitação para dobrar ou esticar o braço, que ficou, acredito eu, em apenas 90% da capacidade normal de qualquer braço saudável.

Sim, ainda sinto dor, mas nada comparado com a dor do dia da queda. Talvez seja aquela dor de mudança de tempo, ou por falta de movimento do braço, tipo, quando fica esticado por muito tempo, ao dobrá-lo, dói e o inverso também ocorre. Mas de resto, a minha vida está normal, e antes dos 9 meses, eu já estava pedalando novamente.

Ainda estou com a placa e os parafusos em meu braço, e em março devo saber se vou tirá-los ou não, ou se posso ficar mais um tempo com eles, porque só incomoda mesmo quando dou aquela cotovelada em algum lugar... aiiiiiiiiiiiiiiiii.... aí dói para cara*****.

Enfim, o importante é não desistir e nem se entregar, porque o nosso corpo se encarrega de consertar as coisas, claro que não fica perfeito como antes, mas dá para ter uma vida normal...

Nem lembro que tenho cicatrizes, e muito menos eu dou bola pra elas...

E vamos pedalar porque é isso que interessa.

Boas pedaladas!

sábado, 24 de setembro de 2011

Uma queda de bike a gente jamais esquece.

Engraçado como nosso corpo se recupera sozinho e a gente nem se dá conta disso.

Hoje faz exatamente 5 meses que eu caí, e sinto meu braço praticamente normal. Está fraco porque somente agora estou fazendo exercícios de força, mas já posso fazer tudo normalmente... opa, quase tudo, colocar a mochila nas costas eu não consigo... hehehehehe.

Bom, feliz aniversário! Estou exorcisando todos os meus demônios hoje!

Boas pedaladas!

domingo, 31 de julho de 2011

Yes, you can. Just do it!


A cada dia que passo eu fico mais impressionada com a capacidade do nosso corpo se curar sozinho, mas infelizmente muitas pessoas nem se dão conta disso.

Talvez porque não percebem que qualquer ser humano, animal ou vegetal é capaz de se adaptar ao meio ambiente em que vive se algo acontecer a sua estrutura física.

Basta você ver filmes ou documentários sobre animais que perderam um membro de seus corpos, e mesmo assim, continuam vivendo normalmente, apenas com pequenas restrições. Por que disso? Porque são capazes de se adaptarem normalmente a nova vida que têm.

E isso é absolutamente possível em nossas vidas também.

Eu não perdi meu braço, mas me adaptei a usar outras partes do meu corpo, as quais eu não estava acostumada a usar. Muitas vezes isso aconteceu inconsciente, e ainda acontece.

Eu aprendi a tomar banho usando somente a mão esquerda, aprendi a abaixar meu corpo de forma diferente para poder pegar coisas no chão, aprendi a escovar os dentes com a mão esquerda, aprendi a me vestir usando somente uma mão, e por aí vai...

Ontem à tarde eu fui tirar uma soneca como eu sempre faço nos finais de semana, e quando já havia fechado a porta do meu quarto, eu percebi que a escada que me ajudava a subir na minha cama não estava lá. Com uma certa preguiça de ter que pegá-la, eu mesma decidi ver como meu corpo reagiria ao subir na cama, e tentei. Deu tão certo subir e descer da cama sem ajuda da escada, que eu resolvi aposentá-la de vez.

Sim, podemos qualquer coisa nesta vida, basta querer, ter coragem e tentar. Meu braço ainda dói, mas não reclamo e vou me surpreendo todos os dias com uma novidade do que ele é capaz de fazer estando do jeito em ainda está: ossos quebrados, fraco, inflamado...

Porque a nossa vida continua!

Ontem à noite eu estava procurando uns vídeos no Youtube para ver o que eu iria escrever para o meu blog, e me deparei com esse comercial do Lance Armstrong, que tem tudo a ver com o que escrevi hoje.

Veja o vídeo, e depois leia a tradução que eu fiz lá embaixo.


"Os críticos diziam que eu sou arrogante, um dopado, um perdido, uma fraude...
Mão eu não podia deixar isso pra lá.
Eles podem dizer o que quiserem, eu não vou voltar a pedalar...
por eles!"

Jamais deixem que alguém diga que você não é capaz!

Boas pedaladas!

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Eu sou minhas memórias...

Pensando no post de ontem...


Quanta coisa aconteceu desde 24 de abril deste ano, após aquele domingo de páscoa...
Engraçado como a vida da gente se transforma em tão pouco tempo, e muitas vezes nem nos damos conta disso.
Lembro-me bem que eu mal podia me levantar da cama da minha mãe. Que minha mãe tinha que me ajudar a tomar banho, a me vestir e ainda amarrar meus sapatos, e ainda dividir a cama dela comigo.
Que eu tinha que comer de colher em prato fundo e com a mão esquerda. Eu sou destra! Imaginem então ter que usar a mão esquerda para tudo, inclusive para escovar os dentes.
Passei um tempo da minha vida dizendo que a minha mão esquerda não tinha vida própria, que não servia para muita coisa, mas nesse período ela se tornou a minha melhor amiga.
Lembro-me da dificuldade de pegar o ônibus usando a tipóia e tendo que usar apenas um braço para me segurar, e ainda vendo muitas pessoas no ônibus que não davam a mínima para mim lá dentro.
Quando comecei a fisioterapia meu braço mal mexia e doía um bocado. Se bem que ainda dói hoje, mas falta uns 30% para ele se esticar todo e dobrar todo também.
Nossa! Eu não conseguia abrir uma garrafa de água. Minha mãe ainda tinha que cortar o bife para mim para eu poder comê-lo.
Passei uns dez dias tendo que usar um cochão no chão para eu dormir, pois a minha cama é um beliche.
Mas isso eu tenho superado aos poucos, porque o nosso corpo se cura sozinho...
Mas outras coisas não foram superadas...
Pessoas que eu acreditei que eram meus amigos, se afastaram... outros nem sequer se manifestaram, e outros eu cortei relações. 
Mas acredito que isso me deixou mais forte e menos passiva em relação às pessoas. Hoje eu não levo mais desaforo pra casa, não abaixo a cabeça pra mais nada, falo o que penso, não tento mais agradar ninguém, e se me magoar, vai ser uma vez só.
Somente eu sei o que eu passei naquele hospital. Somente eu sei a dor que eu senti, e ainda sinto. Só eu sei o que é sentir vontade de pedalar e não poder... só eu sei o que é ter vontade de ter alguém para conversar e ninguém ter paciência comigo...
Não. Longe de mim dizer que eu fiquei ranzinza ou com tolerância zero. Isso não! Apenas sei em quem posso confiar, e sei que devo ficar mais vezes quieta do que falar bobagem e ser interpretada de maneira errada. 
Só posso dizer que, hoje, eu estou feliz demais, porque eu tenho me conhecido melhor, me aceitado melhor, e ver o meu próprio valor... e mais ainda, ver o quanto meu braço está se recuperando e com isso refletindo em minha vida mental também.
Tem hora que dá vontade de chutar o balde, mas aí penso naquele domingo de páscoa... e desisto. Sentir aquela dor de novo? Nunca mais!

Agora eu só quero pedalar mais para dar mais felicidade à minha vida.

Boas pedaldas!

domingo, 24 de julho de 2011

Renascida em 24 de julho!

Dizem que depois de uma fatalidade na vida de uma pessoa, ela muda a maneira de ver o mundo e as pessoas. Hoje, eu agradeço a Deus pelo simples fato de poder escovar meus dentes com a mão direita, coisa que eu não conseguia fazer há 3 meses.

E depois do dia de hoje, eu posso concordar com o Cavendish (apesar de eu achar ele um antipático):

"Quando eu pedalo, eu sou a pessoa mais feliz do mundo!"

E foi assim que eu me senti hoje: a pessoa mais feliz do mundo!

Exatamente 3 meses depois eu voltei a pedalar, e dei uma voltinha de 10km no parque Villa Lobos. Nada puxado, um pedal bem light, o qual eu pude admirar o parque e as pessoas. Mas senti aquele ventinho gostoso na cara.

Eitcha coisa boa, sô!



Boas pedaladas!

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Era uma vez dois meses atrás


O tempo passa tão depressa que a gente nem sente o que aconteceu alguns meses atrás.

Hoje está completando exatamente dois meses em que eu levei um tombo de bike e quebrei meu braço direito. Uia!

É impressionante a evolução da cura do meu braço. Há dois meses eu mal podia me mexer, hoje tomo banho sozinha, escovo meus dentes com a mão direita, posso subir na minha beliche, ando de ônibus sozinha, coloco minha roupa sozinha, voltei a caminha na esteira, entre outras coisas mais. Apenas não posso pedalar... ainda. Buáááááá.

É muito difícil ter apenas um braço para poder fazer as coisas, pior ainda é quando o único braço disponível é o braço que você não estava acostumado a usá-lo antes, que no meu caso, é o braço esquerdo. Hoje, ele é o meu melhor amigo. (risos)

Ainda falta um pouco para o meu braço direito ficar 100%, pois tenho feito fisioterapia duas vezes por semana na Santa Casa, afinal, eu não tenho assistência médica, e o atendimento deles é muito bom. O resto dos dias eu faço exercícios em casa para que a recuperação seja ainda mais rápida. Não vejo a hora de voltar a pedalar. Ô agonia!

Lembro-me muito que no dia eu fiquei preocupada com o retorno do movimento do meu braço, mas depois eu pensei: “mesmo que eu perca o braço, Deus não vai me fazer parar de pedalar!”

Não ter um braço é horrível, mas não ter mais o prazer de pedalar é mais horrível ainda, e sei que é possível qualquer adaptação. Eu consegui me adaptar a usar a mão esquerda, por que eu não poderia me adaptar a ter somente uma mão?

O que me deixa triste é ler comentários de pessoas querendo que o final de semana chegue logo, como se trabalhassem no pior emprego do mundo.

Trabalhar faz parte da vida, como escovar os dentes, tomar banho, comer... pior é não poder trabalhar. E agradeço a Deus todos os dias por poder voltar a dar minhas aulas.

Por isso, pessoas... dêem valor para qualquer coisa que você tem na vida, não fique brigando com aquilo que você não tem, pois algumas coisas podemos mudar, outras não.

Se não está contente com seu emprego, procure outro. Não está contente com seu corpo, pratique uma atividade física. Não está contente com seu relacionamento, parte pra outra ou fique sozinho(a) e vá viajar, curtir a vida, pois essa sim vale a pena ser vivida.

Boas pedaladas!

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Quando a imagem vale por mil palavras

Aí está a nova chapa do meu braço. Você já tinha visto tanto parafuso por braço ao quadrado? (risos)


Para quem não viu, baixo está a foto sem os pontos.






E para quem não sabe do que se trata, leia o relato da minha queda aqui.


Boas pedaladas, mas cuidado sempre, uma queda de bike pode ser fatal!

domingo, 22 de maio de 2011

Sexto dia: estou voltando pra casa, de vez!


Sexta-feira de manhã, eu liguei para minha mãe para saber como estavam as coisas quando o médico entrou no meu quarto:

- Você quer ter alta hoje? – perguntou.
- Claro! – respondi.
- Mas só te dou alta se você comprar uma tipóia.

Como já estava com a minha mãe ao telefone, eu disse a ela sobre a alta e sobre a compra da tipóia. O médico disse que já voltaria com a receita da compra da tipóia em alguns minutos.

Que alegria. Finalmente eu iria sair daquele hospital.

Nada contra a Santa Casa, mas eu queria mesmo a minha cama e a comida da minha mãe. Aliás, nunca fui tão bem atendida num hospital, como eu fui atendida pela Santa Casa. Eu tenho que agradecer a Deus todos os dias por isso, pois eu tive muita sorte, e um excelente atendimento, é claro.

A minha mãe chegou ao hospital por volta das 10h. Entreguei a receita a ela, e ela foi logo comprar a tipóia.

Já com a tipóia na mão, cadê o médico?

Entrou em cirurgia. Portanto, não podia me dar alta.

Foi aí que a minha mãe surtou de vez. Ela ficou tão nervosa que eu cheguei a ficar com vergonha. Tentei acalmá-la, mas nada adiantava.

Não tiro a razão dela, mas ficar nervosa não iria fazer o médico sair do centro cirúrgico e me dar alta.

Por volta das 18h a minha mãe resolveu ir embora. Ela estava muito cansada de esperar. Também pudera, 8 horas de espera é uó do boró godó, não?

Quando foi umas 20h o médico veio até meu quarto me dar alta.

Ah, me esqueci de dizer que quando o médico veio até meu quarto pela manhã, ele também veio refazer meu curativo e teve que espremer meu braço para tirar o sangue que poderia ficar parado, me dando consequências piores no futuro. Então podem já imaginar a minha dor. E à noite não é que ele fez isso de novo? Chorei feito criança.

A minha irmã foi me buscar, porque a minha mãe estava exausta. Mas antes de chegar em casa, nós paramos numa farmácia para comprar medicamentos e curativos.

Já em casa, eu tinha que dormir com a minha mãe, pois eu durmo em beliche e não tinha como subir na minha cama.

Finalmente eu estava em casa.

Passei 10 dias tomando antibiótico a cada 6 horas, e ainda tomo ferro em comprimidos para melhorar a anemia. Tenho comido muito arroz e feijão, além de salada de beterraba. Algumas vezes a minha mãe fez bife de fígado. Eca!

Iniciei a fisioterapia 10 dias depois da segunda cirurgia, e ainda não tirei os pontos. Isso deve acontecer amanhã. Tomara, pois os pontos atrapalham nos exercícios da fisioterapia.

Amanhã também volto a trabalhar. Ufa! Ficar em casa é bom, mas ficar em casa sem muito que fazer cansa ainda mais.

Resolvi comprar um complexo vitamínico para melhorar o cansaço, pois não voltei a fazer caminhadas como eu estava fazendo antes do acidente.

A minha recuperação está indo muito bem. Graças a Deus.


 Foto tirada no dia seguinta à minha alta.


 Essa será a cicatriz que eu terei...

Boas pedaladas, cuidado e sempre usem o capacete! ;-)

sábado, 21 de maio de 2011

Quinto dia: roubaram minha antena!


Terça e quarta-feira foram dias tranquilos para mim, com exceção a quantidade de remédios que eu tive que tomar, mas caminhei pelo hospital, e cheguei até tomar um pouco de sol. Na verdade, eu assisti muita televisão isso sim.

Nesse meio tempo, a minha colega de quarto, Sueli, fez sua cirurgia no pulso e teve alta logo em seguida. Depois tive a companhia de uma jogadora de vôlei profissional que quebrou o dedinho no treino. Ela levou uma bolada tão forte que fraturou o dedo e também precisava de cirurgia. Nossa, a garota tem apenas 19 anos, mas era tão grande que parecia um avatar. (risos)

Na terça-feira, um médico veio me visitar e disse que eu tiraria o fixador na quinta-feira ou na segunda-feira. Confesso que nesse momento eu entrei em pânico, eu não sabia se eu queria tirar aquilo do meu braço antes ou queria esperar mais um pouco, eu tava com medo de entrar na sala de cirurgia de novo, apenas tive que me conformar.

Entrei em jejum na quarta-feira às 22h, e enquanto isso eu esperava a jogadora de vôlei voltar da cirurgia, o que aconteceu somente às 1h30 da madrugada. Acho que só assim eu consegui dormir um pouco.

Às 5h30 da manhã a enfermeira, Suzi, me acordou para que eu pudesse tomar um banho. Fui sozinha tomar banho e lavei a cabeça com gosto, afinal, eu mal conseguia me lavar.

Quando voltei para o quando, a enfermeira disse que eu não poderia ter lavado a cabeça.

- Mas você não me disse nada! – respondi.
- Pois é, eu sei. – disse a enfermeira envergonha.

Ela saiu do quarto e segundos depois veio com um secador. Foi um dos momentos mais engraçados da minha estadia naquele hospital. O secador era tão velho que nem dá para descrever em palavras, só vendo mesmo.

- Nossa! Você vai levar três dias secando meu cabelo. – disse.
- Ah... não tire sarro porque isso aqui é doação. – a enfermeira respondeu.

Tive um pequeno momento de salão de beleza (risos), pois a enfermeira teve que secar meu cabelo, pois a minha cirurgia estava agendada para 10h.

No mesmo horário que estavam dando alta para jogadora de vôlei eu estava sendo levada para o centro cirúrgico. Eles marcam qual o braço deve ser operado, e os enfermeiros começaram a tirar sarro de mim dizendo que deviam trocar a marca para o outro braço, que não deviam me operar porque eu sou sãopaulina, essas coisas... Nessas horas a gente tem que rir um pouco para relaxar.

Já no centro cirúrgico foi aquela confusão. Não sabiam em qual sala eu ia ser operada, tinha anestesista que não sabia que ia me acompanhar... afe... fiquei até com medo de não ser operada de vez, mas essas coisas acontecem em qualquer lugar, até em hospital, né?

Assunto resolvido demos rumo à sala de cirurgia. Lá, a médica responsável disse que eu tinha que fazer o bloqueio do meu braço em outra sala.

Bloqueio significa anestesiar parte do meu corpo para não sentir dor nenhuma, mas para que isso aconteça, eles têm que pegar uma veia (acho eu) que fica perto da clavícula e dói para caralho, e mesmo com o calmante que me deram, eu vi vários médicos tentando achar essa veia, então me picaram várias vezes, e quando eu já estava para xingar um ali, um médico acertou o ponto. Ufa!

Eu tava tão grogue que eu não me lembro como cheguei à sala de cirurgia, mas lembro do anestesista pedindo para eu respirar fundo e eu não conseguia, quando ele pediu pela terceira vez, eu apaguei.

Quando acordei tinham umas três pessoas em volta de mim. Uma chegou a picar meu dedo e outra tirar sangue do meu braço esquerdo. De repente alguém volta com um saco para fazer a transfusão de sangue, foi aí que eu vi que iria receber sangue pelo meu pé direito. Meu braço esquerdo tava tão roxo devido a várias picadas, que o pessoal que me operou resolveu dar soro no meu pé. Como doía muito, eu tive que receber o sangue à conta gotas, aí demorou mais que o normal.

Eu já estava em pânico porque eu sabia que minha irmã estaria me esperando no quarto, pois assim que eu estava indo para o centro cirúrgico eu liguei para ela para avisar da cirurgia e ela iria me esperar no quarto durante o horário de visitar, que era das 14h às 15h, mas eu acho que saí da cirurgia por volta das 16h e como eu ainda tinha que esperar aquele sangue todo descer, eu não iria sair de lá tão cedo.

Quando eram 19h uma das enfermeiras que estavam lá, resolveu tirar o sangue quando ainda faltava pouco para acabar, pois ela via o meu sofrimento. Aquilo doía, parecia que a minha perna estava queimando. Ai, ui, ai...

Só que eu não podia ir embora, eu tinha que esperar algum médico me dispensar, mas todos voltaram a operar. Aquele dia mais parecia um mutirão de cirurgias, vi várias pessoas sendo operadas, e quando saí do quarto às 20h, tinha mais pessoas para serem operadas. Esses médicos são mesmo heróis.

A minha mãe tava à porta do centro cirúrgico toda desesperada, tadinha. A cara dela tava até branca. Ela me acompanhou até o quarto e eu queria ir ao banheiro de qualquer jeito, mas o enfermeiro, Gustavo, não deixou, e ele me trouxe a comadre. De novo? Isso ninguém merece!

Eu também estava morrendo de fome, e aproveitei para comer uns biscoitos que eu tinha na minha mochila, e aí a minha pressão subiu um pouco e comecei a ter dor de cabeça. Resolvi que eu precisava descansar.

O mais engraçado que meu braço tava completamente anestesiado, e eu só sabia que ele tava ali porque ele estava bem quente, pois parecia um braço morto, completamente sem vida. Mas onde estava a antena? Comigo mesma... (risos)

Antes de entrar na cirurgia eu conversei com a enfermeira que acompanharia minha cirurgia.

- O que vocês fazem com esses pinos? – perguntei.
- A gente joga fora.
- Poxa. Será que posso ficar com eles?
- Jura?
- Juro.
- Que legal – ela riu – ninguém nunca pede uma coisa dessas. Por que você quer isso?
- Eu quero de lembrança!
- Você é mesmo doidinha.
Eu apenas ri.

Olha o que estava em mim:



Continua...

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Segundo dia: eu, meu braço e "uma antena"


Estava amanhecendo e eu nem tinha comido ainda após a cirurgia, então eu tava morrendo de fome, quando o enfermeiro Eduardo entrou no meu quarto para ver minha pressão e minha temperatura:

- Vocês não servem café, não? – perguntei.
- Você está com fome?
- Morrendo de fome. – disse.
- Só um minuto que eu vou ver se tem alguma coisa para você lá na cozinha.
Alguns segundos depois o enfermeiro voltou.
- A cozinha está fechada, mas eu trouxe meu pão com queijo que eu vou dividir com você.
- Não precisa, não. Eu espero até a hora do café.
- Não senhora, você disse que estava com fome, e vai comer.

Fiquei com dó do enfermeiro, porque deveria ser a única coisa que ele iria comer antes de acabar o turno dele, e pior ainda, o pão tava muito duro, e eu mal conseguia mordê-lo. (risos)

O pão até me aliviou um pouco, mas eu tava mesmo com vontade de comer um boi de tanta fome, mas o que me aliviou mais ainda foi poder ir ao banheiro, eu já estava cansada de usar a comadre, realmente, isso ninguém merece.

Ao ir ao banheiro aqueles pinos batiam nas coisas, e eu tinha que fazer manobra para fazer xixi, eu só ria sozinha, afinal, que situação!

Outra coisa que eu tava doida pra fazer era tomar um banho, mas soube que eu só poderia tomar banho somente depois das 13h, e nem eram 6 da manhã. Então, eu tentei dormir mais um pouco depois de conversar com a minha colega de quarto, Sueli, que caiu na rua e quebrou o pulso e estava esperando pela cirurgia desde quinta-feira, e nós estávamos na segunda-feira. Que sufoco.

Lá pelas 12h um dos meus alunos foi me visitar. Ele também é médico e estudou na Santa Casa. Ficamos conversando um pouco. Confesso que foi uma surpresa para mim, vê-lo lá me visitando.

Finalmente chegou a hora do banho, mas como eu não podia molhar o braço direito, eu praticamente tomei um banho de gato embaixo do chuveiro, pode? Acho que só limpei mesmo as partes íntimas e lavei o rosto. Credo!

Mal saí do banho minha irmã mais velha e minha mãe aparecem para me visitar e trouxeram mais roupas pra mim. A minha irmã mal chegou e quis tirar fotos do meu braço e ainda posei com ela e com a minha mãe. Hummm... isso vai para o Facebook, aposto!

Conversamos um pouco e logo elas foram embora. Mas antes disso, uma comissão de médicos residentes, mais o professor chefe, foi até o quarto avaliar o meu caso e o caso da Sueli, e foi quando o professor me disse que eu teria que ficar mais alguns dias com aqueles pinos e depois tirá-los para colocar uma placa.

Alguns dias? Quantos dias? Ai meu Deus!

Esqueci de perguntar!

Como o hospital tava sem travesseiros eu tive que pedir por alguns lençóis para colocar embaixo do braço direito, porque carregar aqueles pinos era pesado demais, e os lençóis me serviam de apoio até para dormir.

Aliás, dormir foi horrível, porque eu tinha que dormir de barriga pra cima o tempo todo, ou seja, eu acordava o tempo todo durante a noite. Horrível.

O resto do dia foi assistir TV, comer, ir ao banheiro, cochilar, essas coisas...

 eu e minha irmã

 eu e minha mãe


 e olha o estado que ficou o meu MP3...




Continua...

domingo, 15 de maio de 2011

O primeiro dia: a queda


Poderia ter sido um domingo qualquer, mas aconteceu num domingo de Páscoa.

Saí de casa cedo, pois eu tinha combinado de encontrar um colega no Parque das Bicicletas às 8h15. No meio do caminho ele me enviou um torpedo que iria se atrasar, então aproveitei para conversar com uma amiga que estava ajudando na ciclofaixa.

Quando encontrei o colega, fomos pelo parque Ibirapuera, porque eu queria mostrar outro caminho para ele para chegar até a av. Paulista. Já na avenida ele me perguntou se eu já havia tomado café, então eu sugeri apresentá-lo a Frutaria Paulista, pois ele também não a conhecia. Ele comeu umas esfihas e tomou café, e eu tomei um delicioso açaí com pedaços de manga. Delícia!

Por volta das 10h saímos rumo ao minhocão, pois era outro trajeto que ele não conhecia. Mal entramos no minhocão e cerca de uns 300 menos, eu acho, o guidão da minha mãe bike escapou da minha mão, ficou fazendo zigue-zague, e quando me dei por mim, lá estava eu no chão, batendo fortemente meu braço direito.

Lembro-me muito bem de ter ido com a cara no chão, e se não fosse pelo capacete, acho que teria quebrado o nariz, ou coisa pior. O capacete realmente pode salvar sua vida, portanto, nunca deixe de usá-lo.

Senti uma dor esquisita, mas eu não conseguia distinguir da onde vinha. Mexi o ombro direito preocupada em ter fraturado a clavícula, mas vi que estava tudo bem com ela, foi quando uma mulher que passeava com um cachorro que veio me dizer que eu havia quebrado o braço e pelo sangue que saía deveria ser fratura exposta.

Comecei a sentir que o elástico que segurava meu aparelho de MP3 estava apertando meu braço e pedi para o colega cortar meu casaco para poder tirar o aparelho. Fazia um pouco de frio nesse dia, chegou até a garoar, por isso eu estava usando um casaco de frio. Foi quando ele viu o tamanho do estrago que estava meu braço, e o aparelho de MP3 totalmente destruído. Também pudera, se eu quebrei o braço, o aparelho só poderia ficar destruído.

Outro rapaz que caminhava pelo local chamou o resgate, e o colega queria ligar para minha mãe. Pedi para ele esperar eu chegar ao hospital a fim de não deixar a minha mãe preocupada.

O regaste chegou super rápido e logo começou os primeiros socorros, e foi aí que eles perguntaram se eu estava com algum documento, e não tive outra saída a não ser que ligassem para minha mãe para levar meus documentos até o hospital. O resgate me levou para o hospital Santa Casa, pois era o mais perto da região.

O atendimento da Santa Casa foi também super rápido. Quando eu me vi já estava rodeada de enfermeiras e médicos, e foi nesse momento que eu senti a pior dor da minha vida. Uma médica pegou o meu braço e esticou para ver a fratura exposta, e quase morri de tanta dor. E ao mesmo tempo duas enfermeiras tentavam, sem sucesso, pegar uma veia minha no braço esquerdo. Eu tenho as veias muito finas, e sempre fico roxa ao fazer exames de sangue, e dessa vez eu iria ficar com o braço preto... (risos)

Logo em seguida outro médico, Dr. Jan William, me levou para fazer o raio-x. Meu Deus, a dor era tanta que eu arranhava a barriga do cara que ajudava o médico a fazer o raio-x do meu braço.

Quando estava saindo da sala de raio-x a minha mãe, coitada, estava me esperando do lado de fora, toda preocupada, e eu, apesar de tudo, estava super calma.

Voltei ao PS, pois ainda tinha que fazer ultrassom para ver não havia acontecido nada com meus órgãos internos, já que nenhum outro osso havia quebrado. Graças a Deus.

O médico me acompanhou até o ultrassom e, graça a Deus, não havia nada de errado comigo.

Nesse ínterim todo, vários enfermeiros tiraram sangue do meu braço direito, enquanto o esquerdo sangrava muito. Teve um momento que tiveram que circular comigo por fora do hospital, e as pessoas que me viram, muito provavelmente pensaram que eu havia levado um tiro no braço, devido a quantidade enorme de sangue em minha maca.

O médico me levou para colocar meia tala no meu braço e aí foi um dos piores momentos do dia. Eu ficava o tempo todo segurando meu braço com a mão esquerda, e nesse momento, a minha mão escapou, meu braço direito caiu para o outro lado, que dor, e que medo.

Não me lembro de muita coisa depois disso, mas lembro quando me levaram para sala de cirurgia.

Fiquei boa parte do tempo da cirurgia consciente e ouvi praticamente tudo: furadeira, martelo, vozes, etc.

Quando acordei, eu estava com um fixador no meu braço. Aqueles pinos que colocam para não poder movimentar o braço, até esperar que ele fique menos inchado.

Já no quarto, vi minha mãe e minha irmã mais velha, mas eu estava tão grogue que me lembro de pouco coisa, mas logo em seguida o Dr. Jan William veio até mim pedindo que eu mexesse os dedos, e como o braço tava tão anestesiado, que mexer qualquer dedo naquele momento era impossível. Ele saiu do quarto e menos dois minutos depois, uma enfermeira voltou dizendo que o médico havia solicitado uma tomografia. Meu Deus, eu queria descansar, e ainda teria que fazer uma tomografia? E lá fui eu. E quase que não foi possível fazer a tomografia, devido ao fixador que estava em meu braço. Eu tive que ficar de lado, sentindo dor pelo corpo todo, mas não reclamei, eu só queria mesmo voltar para cama pra tentar dormir.

E finalmente eu tive um pouco de sossego.

O resgate.

 A fratura

 
 Os pinos (fixador)


Continua...