segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Um ídolo que se foi.


Eu acho que todo mundo tem um ídolo, ou alguém a quem se inspirar, muitos até se inspiram em alguém da família, outros, como eu, se inspiram em pessoas famosas.
Quando soube da existência de Lance Armstrong foi amor à primeira vista. Meu pai tinha falecido de câncer um ano antes, então saber da história de Lance me empolgou ainda mais. Virei fã de carteirinha. Comprei três livros dele, um deles eu também tenho na versão em inglês e o li mais de uma vez! Comprei DVD sobre as vitórias no Tour de France, além de ter no meu computador fotos e descanso de tela como tema “Lance Armstrong”. Tudo o que eu pudesse ler sobre ele, eu lia. Só não consegui ver a palestra dele quando ele veio ao Brasil em 2011. O preço para assisti-lo era muito alto, por isso eu não fui, se não, eu teria ido vê-lo com certeza. E ano passado eu ganhei a pulseira amarela do Livestrong, pois eu sempre quis ter, mas nunca consegui compra-la.
Mas após assistir a entrevista de Lance Armstrong à Oprah Winfrey eu me decepcionei demais com ele. Acho que foi uma sensação muito estranha para mim, era como se eu tivesse descoberto que meu pai não é meu pai, entende? Porque não tive ódio dele como muitos por aí estão, eu apenas fiquei desapontada. Muito triste mesmo!
Na sua gana de vencer, vencer e vencer, Lance não pensou em ninguém, foi um cara totalmente egoísta e egocêntrico. Ele repetiu várias vezes durante a entrevista que achava aquilo (se dopar) normal, mas deixou claro que nunca obrigou ninguém a se dopar, apenas garantiu que vários outros ciclistas também se dopavam.
Eu tenho mais pena dos filhos dele, que vão carregar este peso para o resto de suas vidas, do que ter pena do Lance Armstrong. Só acho que pedir todo o dinheiro que foi investido nele de volta não vai apagar esta manja que está no ciclismo mundial. Eu acho sim que ele deve ser punido, até preso, se necessário, mas levá-lo à miséria, eu acho demais.
Infelizmente, não foi só o Lance que perdeu nessa, acho que todos nós perdemos. E muita água vai rolar até este assunto ser totalmente resolvido. Como ficarão as voltas mais famosas do mundo? Será que não teremos desistência de patrocinadores nessas voltas? Será que outros ciclistas perderão seus patrocinadores? Será que a população não perdeu a credibilidade (que já era pouca) no ciclismo mundial? Afinal, o esquema “Lance” foi tão bem feito que agora muitos espectadores vão ficar desconfiados de qualquer esporte. Eu ficaria.
Eu só torço para que depois dessa entrevista, todos os envolvidos ou não, possam fazer o que for possível para limpar essa sujeira que ficou no ciclismo e fazer desse esporte um esporte bonito de se ver e de se praticar.
E quanto ao Lance? Não o condeno totalmente, afinal acho que todo ser humano comete seus erros e depois se arrependem, assim como ele se arrependeu, mas tê-lo como fonte de inspiração para mim, não o terei mais.

Boas pedaladas!

Um comentário:

Unknown disse...

Eu peguei a entrevista depois do início, e o que mais me chamou a atenção foi a total ausência de emoção: about:blank total - o mesmíssimo semblante de seu testemunho em 2005. Fica de fato a impressão de que o camarada é um psicopata. Um ponto que não foi comentado aqui, sobre a entrevista: ele dizia que não tinha noção de seu sucesso e fama, em que ela rebate: "Como não? Com o presidente ligando pra você?"

Minha opinião: aconselharam-no a fazer esse "mea culpa" por conta do calibre da "tromba" que está por vir, além dos milhões perdidos entre patrocínios e que ainda serão gastos com advogados e que tais, em virtude de processos, como se esse "mea culpa" fosse de fato atenuar a intensidade da cruzada contra ele...